O dia em que Chico Buarque tentou "roubar" Roberto Carlos do rock
09/12/2017 11:37 em Novidades

Foto de abertura da entrevista de Chico Buarque e Geraldo Vandré com Roberto Carlos, publicada em dezembro de 1966 na extinta revista "Manchete"

No livro "Roberto Carlos em Detalhes", a famosa biografia proibida do Rei, o autor Paulo César de Araújo descreve assim a visão dos artistas da Música Popular Brasileira sobre a Jovem Guarda no começo da explosão do movimento: "Na época, ainda não era aceitável que um cantor-compositor brasileiro pudesse fazer rock. Era algo considerado uma anomalia, e assim deveria ser tratado e corrigido. Portanto, a única solução possível para os roqueiros seria convertê-los à 'música brasileira'."

 

Foi isso que Chico Buarque e Geraldo Vandré tentaram fazer com Roberto Carlos em um dos episódios mais folclóricos – e menos lembrados – da rixa entre MPB e Jovem Guarda. Na edição de 10 de dezembro de 1966 da revista "Manchete", Chico e Vandré entrevistaram Roberto, tentaram "curar" o Rei do seu vício em iê-iê-iê e recomendaram um tratamento à base de muita MPB.O título da matéria? "A Frente Ampla da Jovem Guarda” – uma referência ao manifesto político que naquele momento unia os antigos adversários políticos João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda contra a ditadura militar.

 

Em 1966, a popularidade de Roberto havia explodido com a música "Quero que Vá Tudo Vá pro Inferno" e com o programa "Jovem Guarda". A MPB torceu o nariz e acusou Roberto, e a turma do iê-iê-iê como um todo, de fazer música alienígena e alienada, desvinculada dos ritmos nacionais e despreocupada com a ditadura militar. 

 

Sete meses depois da entrevista na "Manchete", em 17 de julho de 1967, a rixa entre MPB e Jovem Guarda chegaria a seu momento mais explícito, na emblemática "passeata contra a guitarra elétrica", com a participação de, entre outros, Geraldo Vandré, Elis Regina e Gilberto Gil. 

 

No festival da Record daquele mesmo ano, Gil cantaria acompanhado de guitarra em "Domingo no Parque", assim como Caetano Veloso em "Alegria, Alegria". Foi o suficiente para Evandro Ribeiro, produtor de Rei, comentar ironicamente: "Está vendo, Roberto? Eles queriam que você aderisse à música brasileira. Agora estão aí aderindo ao iê-iê-iê e se dando bem".

 

A entrevista é impagável. Leia a íntegra no UOL

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