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Podcast
Arari depois das urnas: Maria mostrou força, mas o eleitor não entregou o município a ninguém
Análise de Joceí Jardim aponta força do grupo da prefeita nas eleições proporcionais, mas destaca a autonomia do eleitor e a fragmentação do cenário político para 2028
Por Rádio Voz de Arari
Publicado em 06/10/2026 10:43 • Atualizado 06/10/2026 11:16
Novidades

A eleição de 2026 deixou uma mensagem clara para a política de Arari: a prefeita Maria tem força eleitoral, mas não controla sozinha o voto do município.

 

Essa é uma das principais conclusões do ex-secretário da gestão do ex-prefeito Djalma Melo, Joceí Jardim, ao analisar os resultados das urnas e seus possíveis reflexos na eleição municipal de 2028.

 

Os números ajudam a explicar a contradição

Aluísio Mendes, candidato apoiado pela prefeita para deputado federal, foi o mais votado em Arari, com 3.348 votos. Para deputado estadual, Júnior Viana, também apoiado pelo grupo, liderou com 2.815 votos.

 

Mas, na disputa pelo Governo do Maranhão, o eleitorado tomou outro caminho. Eduardo Braide obteve 10.775 votos, ou 62,25% dos votos válidos, contra 5.079 de Orleans Brandão, candidato apoiado pela prefeita, que ficou com 29,34%.

 

Para Joceí, o resultado mostra que não existe um monopólio político sobre o eleitorado. “O que se vê é que não há um monopólio do voto arariense. O eleitor arariense consegue escolher segundo a sua vontade”, avalia Joceí.

 

A combinação dos resultados reforça essa leitura. Em Arari, Lula foi o mais votado para presidente, Braide venceu para governador, Aluísio liderou para deputado federal e Júnior Viana ficou em primeiro para deputado estadual.

 

Quanto da força de Maria é transferível?

Joceí também compara a votação dos candidatos de 2026 com os 9.260 votos obtidos por Maria na eleição municipal de 2024.

 

Aluísio recebeu 3.348 votos e Júnior Viana, 2.815. Os números não podem ser tratados simplesmente como votos “perdidos” pela prefeita, porque são eleições diferentes. Mas a comparação levanta uma questão política relevante: quanto da votação pessoal de Maria consegue ser transferida para outros candidatos?

 

Ao mesmo tempo, há um dado que mostra a força da articulação do grupo: Aluísio Mendes havia recebido apenas 542 votos em Arari em 2022 e saltou para 3.348 em 2026.

 

Ou seja, se a eleição não confirmou uma hegemonia sobre o eleitorado, confirmou uma capacidade concreta de mobilização e transferência de votos nas eleições proporcionais. “Foi a melhor transferência de votos para os seus deputados”, avalia Joceí.

 

Na disputa estadual, o grupo da prefeita ainda teve outro nome competitivo: Tiago Fernandes recebeu 1.445 votos. Somados aos 2.815 de Júnior Viana, os dois chegaram a 4.260 votos.

 

"Os novatos" entram em cena

A eleição também preservou espaços para outros grupos políticos. O grupo ligado ao vice-prefeito Almir Leite apoiou Rui Jorge, que foi eleito deputado estadual. Para Joceí, a cadeira na Assembleia poderá dar ao grupo condições de ampliar sua presença política no município nos próximos anos.

 

“É um grupo que vai se sustentar em uma cadeira de deputado estadual também, onde pode esse deputado estadual fortalecer muito o grupo nesses próximos dois anos.”

 

Já em relação a Álvaro Jardim, associado à candidatura de Orleans Brandão, Joceí considera que o resultado eleitoral não favoreceu o chamado “Time do Lula” em Arari.

 

O problema de Maria pode estar fora de Arari

Talvez o aspecto mais delicado para o grupo da prefeita esteja justamente no resultado estadual. Maria conseguiu fazer seus candidatos proporcionais liderarem em Arari, mas o candidato a governador por ela apoiado perdeu para Braide, que venceu o primeiro turno no estado. A partir de 2027, portanto, a política municipal terá de conviver com um novo cenário no Governo do Maranhão.

 

Para Joceí, essa mudança pode criar dificuldades para o grupo da prefeita. “Ela saiu fortalecida na eleição de seus candidatos a deputado estadual e federal, mas enfraquecida no cenário do governo estadual.”

 

2028 começa a ser desenhada

Ainda faltam dois anos para a eleição municipal, mas as urnas de 2026 já produziram um novo mapa político. Maria demonstrou força e capacidade de mobilização. Outros grupos preservaram espaços. O eleitor mostrou que não vota necessariamente em bloco. E o novo governo estadual introduziu uma variável que não existia no mesmo formato durante a eleição municipal de 2024.

 

Por isso, a principal mensagem deixada pelas urnas talvez seja simples: Maria tem força, mas não tem todos os votos. Como resume Joceí: “O embate, o embrulho político visando 2028, continua bem misturado.”

 

Em outras palavras, a eleição de 2026 não definiu o tabuleiro de 2028 — apenas mexeu as peças. Maria mostrou força, os demais grupos preservaram espaços e o eleitor deixou um recado que nenhum grupo deveria ignorar:

 

“A eleição de Arari deixou uma lição que vale para qualquer disputa eleitoral: voto não tem dono. E quem enxergar nas urnas de hoje um mapa pronto para 2028 pode se surpreender com a as possíveis movimentações das peças no xadrez político da terra da melancia.”

 

 

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